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Como o tipo de parto influencia a colonização de bactérias no

intestino dos bebês e implicações para a saúde

Por Lívia Legati, Laura Coelho e Letícia Prado – Acadêmicas do 5º. Período da FMIT

A microbiota intestinal é um fator chave no desenvolvimento do intestino e do sistema imune, com repercussões no cérebro e no comportamento, através do eixo de interações neuro-imuno-microbiano. Muitas evidências mostram que a colonização precoce apropriada tem um grande impacto na saúde dos indivíduos no futuro. O estabelecimento da microbiota intestinal nas fases iniciais da vida é um processo afetado por muitos fatores, dentre eles, o tipo de parto. Observou-se diferenças na microbiota dos bebês nascidos de parto cesariana em comparação com bebês nascidos de parto normal. Essas diferenças na colonização microbiana podem explicar, em parte, os riscos de desenvolver algumas doenças, estabelecendo a base para um desenvolvimento infantil adequado e a homeostase fisiológica durante a vida.

Bebês nascidos em cesarianas não são expostos diretamente à microbiota vaginal da mãe, sendo que este primeiro contato vem de outras partes maternas, como pele ou boca, ou de fontes não maternas como o ambiente, que poderia ser o hospitalar. Estes bebês possuem comunidades com prevalência de Staphylococcus spp, enquanto os bebês nascidos de partos normal possuem uma microbiota mais parecida com a microbiota vaginal da mãe, com prevalência de Lactobacillus, Prevotella ou Atopobium spp.

 Vale ressaltar que o leite materno além de melhor nutriente é também importante regulador natural da microbiota e da maturação do sistema imune. Outra forma de regular a microbiota intestinal é através da administração de probióticos, e estudos científicos mostram evidências de seus benefícios nas mais diversas faixas etárias. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os probióticos são microrganismos vivos que ao serem administrados em quantidades adequadas, podem fornecer algum benefício à saúde. Eles possuem a capacidade de combater bactérias nocivas no intestino através da secreção de antimicrobianos e adesão competitiva à mucosa, fortalecendo a camada epitelial e regulando o sistema imune. Os estudos investigam o uso de probióticos na gestação e seus efeitos para a microbiota intestinal da mãe e do bebê, entretanto, no presente momento não há comprovações do benefício do seu uso para a prevenção de doenças posteriores.

 

Referências:

-Rutayisire, E., Huang, K., Liu, Y. et al. O modo de parto afeta a diversidade e o padrão de colonização da microbiota intestinal durante o primeiro ano de vida dos bebês: uma revisão sistemática. BMC Gastroenterol. 2016;16:86.

-Arboleya S, Suárez M, Fernández N, Mantecón L, Solís G, Gueimonde M, de los Reyes-Gavilán C, G: C-section and the Neonatal Gut Microbiome Acquisition: Consequences for Future Health. Ann Nutr Metab 2018;73(suppl 3):17-23.

-Swartwout Brianna, Luo Xin M. Implicações dos probióticos na interface materno-neonatal: microbiota intestinal, imunomodulação e autoimunidade. Frontiers in immunology [Internet]. 2018 Dec 03 [cited 2021 Jun 24]; DOI https://doi.org/10.3389/fimmu.2018.02840.